Quem costuma andar pelo bairro Higienópolis já deve ter reparado no Edifício Apracs, idealizado por Artacho Jurado nos anos 50 com janelas de ponta a ponta emolduradas por floreiras. Foi nesse endereço que a arquiteta Marina encontrou um apartamento detonado – mas que tinha tudo para virar sua casa dos sonhos. Tanto que virou. “Fui estudar arquitetura por acreditar que é possível melhorar a forma como habitamos o mundo. Acho muito bonito que a arquitetura é uma atividade propositiva, portanto otimista. De certa forma, nós arquitetos somos idealistas”, ela diz. E foi exatamente essa capacidade de transformar o ideal em real que a motivou a reformar o antigo imóvel. * Ainda não leu o Capítulo 1? Então veja tudo AQUI. 

Ao integrar a cozinha com a sala a moradora aproveitou para redistribuir as funções dentro do cômodo. Na área principal ficam a mesa de jantar, o louceiro de madeira de demolição e um longo armário sob a janela que se estende até a lavanderia. Em um canto mais afastado, formando um L, fica outra bancada com fogão, pia e geladeira. “Durante a reforma pesquisei muitos materiais possíveis para fazer as bancadas, mas acabei optando pelo concreto para manter uma coerência com o restante do apartamento”, Marina explica.

Além de arrematar o espaço, o louceiro tem toda uma história por trás: o armário foi feito pelo pai da arquiteta, que tinha uma marcenaria, usando portas e janelas de demolição garimpadas por ele. A ideia inicial era que as portas abertas tivessem vidros, porém o tempo foi passando e no fim Marina deixou o armário assim, apenas com o recorte. Nessa parte que fica à mostra ela organiza copos e pratos do dia a dia.

No quarto e no banheiro de Marina o branco domina a cena – ela preferiu não usar concreto nessa área do apê para manter um clima mais relaxante. O quarto em si não foi muito mudado na obra, porém o banheiro foi remanejado para a criação da suíte e de quebra ganhou uma parede inteira de blocos de vidro que dá para a lavanderia. Ou seja, o cômodo se tornou muito mais iluminado e agradável, principalmente no final do dia, quando a luz do pôr do sol pinta o espaço. Posicionada abaixo de uma janela com perfumadas trepadeiras de jasmim, a cama fica de frente para o guarda-roupa, o que garante mais privacidade e otimiza o ambiente. A escadinha de madeira serve para pendurar cabides ou mantas e é uma herança de uma amiga da arquiteta.

É difícil pontuar o que faz do apartamento de Marina um lugar tão especial. Seriam os materiais quentes? A iluminação natural em todos os espaços? Ou a mesa sempre pronta para receber mais um convidado e esticar a conversa por horas? A resposta é simples: o conjunto da obra. Mesmo usando acabamentos rústicos e às vezes até mais pesados, como o concreto, ela criou um lar delicado e cheio de leveza.

Fotos por Gisele Rampazzo

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