Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Texturas acolhedoras e uma cartela de tons suave definem a atmosfera tranquila e convidativa no apartamento de Marina. A arquiteta se mudou para o imóvel há sete anos, na época em que ainda estava na faculdade, então o projeto de seu próprio lar foi sua primeira grande experiência na área – para realmente começar a carreira com o pé direito. “Acho que a casa tem um despojamento e uma naturalidade que fazem parte da minha personalidade”, ela define com orgulho.

O mais engraçado é que quem visse o apartamento antes da reforma não daria nada por ele: o lugar estava detonado, com paredes pintadas em um verde triste, um carpete velho no piso e cômodos pouco aproveitados. “Apesar do mau estado, quando entrei aqui pela primeira vez meu coração palpitou. O apê tinha qualidades difíceis de encontrar por aí: pé-direito alto, janelões, boa orientação e ventilação cruzada”, Marina lembra. Contrariando todas as probabilidades – e também a opinião de seus pais, que não acreditavam que o imóvel tivesse salvação – a moradora apostou em sua intuição e revolucionou os espaços com um orçamento enxuto.

Desde o início os planos de Marina incluíam abrir a sala para a cozinha, porém ao longo do quebra-quebra ela foi ampliando ainda mais a lista de alterações. “No meio da obra acabei decidindo quebrar o segundo quarto também e no final ganhei uma área muito generosa, ótima para receber os amigos. Além disso, o apartamento fica iluminado o dia inteiro: de manhã o sol entra pela sala e à tarde pela cozinha – é raro eu precisar acender a luz em casa durante o dia”, ela conta.

Outras duas surpresas que foram muito bem-vindas são as paredes de concreto e tijolinho, descobertas na reforma, e o piso de tacos de peroba rosa que estava escondido sob o carpete gasto. “Por conta da mudança no layout, precisei comprar a quantidade que faltava em lojas de demolição”, a arquiteta explica. Marina sempre preferiu materiais crus nos acabamentos – concreto, madeira e tijolos, por exemplo – porque eles têm algo de natural, são rústicos e cheios de textura, e por isso geram uma sensação de aconchego.

Quase todos os móveis foram herdados de família ou garimpados em feiras de antiguidade, como as feirinhas do Bixiga e da praça Benedito Calixto. E os objetos são presentes de amigos e familiares ou itens trazidos de viagem. A paixão por peças vintage é coroada pela cadeira de balanço de palhinha e pelo ventilador de piso. Com ares minimalistas, a decoração foca no essencial, mas sem abrir mão de um ou outro detalhe que está ali apenas para encantar – como a coleção de garrafas e vasos de vidro na última prateleira da estante.

Um lar, um ponto de encontro, um empurrãozinho para a carreira na arquitetura, uma inspiração constante, um aprendizado. O apartamento de Marina é tudo isso e mais um pouco. É onde ela aproveita a luz do sol que invade os espaços sem pedir licença, onde cuida das folhagens e da hortinha na floreira do prédio, onde ela pode meditar bem no meio da sala, onde ela se reconhece em cada item da decoração, e onde se sente realmente em casa. * Ficou com vontade de ver mais? Confira a continuação no Capítulo 2 clicando abaixo! 

 

Fotos por Gisele Rampazzo

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