O prédio dos anos 40 com vista para a Av. Nove de Julho conquistou o arquiteto Fernando e o artista plástico Lucas por sua arquitetura, porém o apartamento em si também é cheio de detalhes atraentes – principalmente depois que o casal se mudou e trouxe consigo uma coleção de móveis e objetos interessantes, além de muitas e muitas plantas. * Para ver o começo da história, leia o Capítulo 1.

Apesar de ter sido reformado há poucos anos, o apê preserva elementos originais da construção, como a varanda com piso de pastilhas, as esquadrias da maioria das janelas, os tacos de madeira e a disposição quartos. “Mesmo sendo da década de 1940, é um prédio modernista, com uma planta muito generosa e uma estrutura racional, que permitiram essa reforma incorporando a cozinha e a área social e valorizando a entrada de luz e a ventilação cruzada”, Fernando explica.

Os dois moradores gostam bastante de cozinhar, mas mais ainda de receber os amigos – por isso a cozinha integrada foi essencial na escolha do apartamento. “Tanto o Lucas como eu viemos de famílias que adoram receber, de casas também abertas. Trouxemos isso da nossa cultura familiar e criamos essa casa que de certa maneira se tornou o centro de um grupo de amigos, um lugar de celebração”, o arquiteto diz. Outro ponto que ajuda na sensação de amplitude e aconchego do espaço são os acabamentos claros nas paredes e armários e a imensa janela sobre a pia, o que permite o cultivo de mais plantinhas.

Lucas sempre se interessou por arte – desde adolescente ele pesquisa, estuda e faz viagens em busca de inspiração – porém sua formação original também é de arquiteto. Ele até chegou a exercer essa profissão por um tempo, mas aos poucos a arte foi tomando conta de sua rotina por completo e hoje ele viaja o mundo graças ao seu trabalho. “De certa forma, suas criações e pesquisa de arte dialogam com a arquitetura”, Fernando conta.

Para que ambos pudessem trabalhar confortavelmente no apê, um dos três quartos foi transformado em um escritório-biblioteca, com duas escrivaninhas de um lado e uma longa estante do outro. “Nós temos uma coleção extensa de livros, então a principal necessidade no escritório era ter o maior número possível de prateleiras. Por isso escolhemos esse último quarto, que tem as maiores paredes em extensão”.

Com paredes, bancada e piso brancos, os banheiros foram decorados com velas e plantas para que realmente fossem considerados uma continuação do restante da casa. Como o apartamento tem dois banheiros, cada morador tem o seu – um privilégio, segundo Fernando.

“O que faz do apê um lar e, de quebra, também reflete o que somos, é o fato dele ser uma casa aberta – querendo dizer com isso que aqui é um lugar de encontro. O apartamento está sempre aberto para os amigos e para as pessoas que conhecemos. Aqui é uma casa onde todos podem se sentir em sua própria casa, de um jeito descontraído”, define o casal.

Fotos por Alessandro Guimarães