Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

A vista desimpedida para o pôr do sol foi o que convenceu a fotógrafa Nina a comprar um apartamento de 90m² construído na década de 1970. O imóvel tem outras vantagens também, é claro, como a varanda e as janelas de ponta a ponta, porém nada se compara às luzes coloridas que banham os espaços no final do dia. Com uma verba enxuta, mas muita vontade de transformar os ambientes, Nina procurou o escritório de arquitetura 23Sul para comandar a reforma. O que ela ainda não sabia é que, além de um apê novinho, o destino daria um jeito de lhe apresentar um novo amor.

Os antigos moradores tinham um gosto bem diferente do de Nina. O piso, por exemplo, trazia um porcelanato bege que deixava os cômodos frios e pouco acolhedores. Além disso, a cozinha era mais fechada e escura, o dormitório de empregada havia virado um escritório apertado e o quarto principal não tinha a menor graça. A obra não apenas solucionou todos esses problemas, como também introduziu no apartamento elementos que de fato refletem o estilo da fotógrafa: o acabamento de cimento queimado, a área de estar totalmente integrada, portas de correr estratégicas e vigas descascadas, deixando o concreto aparecer.

“Me preocupei em fazer uma reforma que realmente coubesse no meu orçamento, mas que usasse materiais dos quais gosto muito, como cimento, madeira e vidro. A ideia era que o projeto fosse simples e criasse ambientes amplos, arejados e com a minha cara.  Essa simplicidade na estrutura permitiu que os móveis, as plantas e os quadros ganhassem mais espaço.”, conta a moradora.

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As cores da decoração aparecem nos móveis e em detalhes pontuais, como o sofá berinjela que Nina sempre quis. Pintada de azul retrô, a geladeira na sala é outro de seus xodós, pois veio da casa de sua avó materna – com pinguim e tudo. Dos avós paternos a fotógrafa herdou um bar de madeira trazido da Argentina quando eles se mudaram para o Brasil nos anos 60. “Essa era uma peça que eu namorava, pois a achava elegante e gostava até do cheiro.”, brinca ela. “Ganhei de presente ou herança grande parte dos móveis e isso os torna especiais para mim. Minha família está muito presente aqui.”, completa.

Também com desenho vintage, a mesinha de centro guarda a coleção de globos de neve trazidos de viagens ou presenteados pelos amigos. Nina não esconde que adora um souvenir, por isso é possível encontrar pelo apê diversas lembranças afetivas: azulejos comprados em Belém, caixinhas, uma carranca vinda da Amazônia, pequenas estátuas… Os quadros pendurados nas paredes misturam estilos sem muita regra. Tem o de jacaré, da artista plástica Angela Leite, uma foto antiga do avô Nassim, um retrato da avó Margot e, claro, fotografias clicadas pela própria moradora, entre outros. Além disso tudo ainda tem as plantas, uma grande paixão de Nina.

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Uma surpresa feliz da reforma foi o encontro entre Nina e Luiz Florence, arquiteto. “Eu e o Luiz nos conhecemos durante o projeto, desenvolvido pelo escritório onde ele é sócio. Nos demos muito bem, mas perdemos o contato. Meses depois nos cruzamos sem querer em um bar e em pouco tempo nosso namoro começou. Após um ano ele se mudou para cá e de quebra ainda me ajudou a terminar algumas coisas que faltavam.”, lembra. As coisas dela deram espaço para as coisas dele, as ideias se completaram, novas histórias vieram e assim o casal segue cultivando um lar – e uma vida – juntos.

Fotos por Rafaela Paoli

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