O apartamento novinho em folha recém-entregue pela construtora não era exatamente o que a arquiteta Renata havia planejado, porém não demorou muito para que o lugar a conquistasse. Apaixonada por imóveis antigos, ela procurou unir o aconchego dos materiais usados no passado, como o piso de tacos, com as facilidades de um layout mais atual que permite adaptações sem muito quebra-quebra. Além das soluções arquitetônicas, o apê ganhou alma com uma seleção despretensiosa de móveis e objetos de origens distintas. Para não perder o comecinho dessa história, leia primeiro o Capítulo 1.

Acostumada a morar em casas amplas desde criança, Renata precisou se adaptar e praticar o desapego para conquistar mais conforto nos 72 m² do apartamento. A integração total da sala de estar com a cozinha e a varanda ajudou muito, é claro, mas a arquiteta também colocou em prática outras ideias de aproveitamento de espaço, como a prateleira para livros rente ao teto, um armário estreito que serve de bar e o pequeno closet com cortinas ao invés de portas. As cores suaves se mostraram boas aliadas, já que amplificam a entrada de luz natural e deixam os ambientes mais leves.

Renata nunca fez muita questão de ter varanda, mas a possibilidade de criar um living aberto com paredes de vidro e vista desimpedida para a cidade a seduziu. Meio área externa, meio sala de jantar, o espaço foi equipado com uma mesa de medidas enxutas e um acolhedor canto de leitura. Plantas de espécies e portes diferentes trazem um ar caseiro e fazem companhia a peças importantes na história do casal: o vaso de cerâmica trazido da lua de mel na África, o tapete colorido comprado no Marrocos, o banco de madeira que era dos pais de Eduardo, marido da moradora, e a poltroninha vintage, garimpada por seu primo. A irmã de Renata, Diana Leite, tem uma poltrona exatamente igual em sua casa – lembra que publicamos AQUI?

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Como o quarto do casal não é muito grande, a arquiteta preferiu usar poucos elementos na decoração. A cama de latão, que foi a primeira cama de seus sogros na época em que eles se casaram, virou a protagonista do ambiente. E não é para menos. “Eles iam vendê-la para um antiquário, mas quando vi a peça amei e quis para mim!”, brinca Renata, que pintou uma faixa cinza atrás do móvel para destacá-lo ainda mais. Para não ficar acumulando bagunça, os criados-mudos convencionais foram substituídos por suportes discretos de parede.

Os dois moradores adoram ler no quarto, portanto luminárias de cabeceira eram indispensáveis – o único problema é que elas não caberiam nesses apoios estreitinhos ao lado da cama. A solução perfeita para o dilema foram as arandelas pequeninas com haste flexível, que trazem praticidade e poupam espaço. Como se fosse um quadro, o pedaço de piso de resina colorida é mais uma daquelas amostras de acabamento que Renata coleciona e reutiliza de forma criativa: “Mal sabe o fornecedor que ele fez uma obra de arte!”.

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Nos pequenos e nos grandes detalhes, o apartamento de Renata e Eduardo reflete sua forma de levar a vida, cercados de itens simples e com muita criatividade para restaurar peças antigas. Alguns móveis de design também estão presentes, trazendo à tona as referências acumuladas pela moradora ao longo de sua carreira na arquitetura. “Aqui temos a liberdade de misturar um pouco de tudo o que gostamos para montar espaços aconchegantes e que nos convidam a ficar. Tudo o que temos em casa foi escolhido com muito amor, então existem sentimentos por trás de cada objeto.”.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia