Inspiração é o que não falta na casa de vila alugada (e repaginada!) pela produtora Mariana. Além do clima bucólico e dos ambientes bem iluminados, o sobrado traz uma decoração despretensiosa, feita a partir de muitos móveis herdados de família, peças restauradas pela moradora e outras invenções criativas. Se você ainda não leu o Capítulo 1, acompanhe tudo por AQUI para não perder nenhum detalhe.

Mari nasceu em São Paulo, mas teve o privilégio de morar no interior durante boa parte de sua infância. A proximidade com a natureza e a liberdade de crescer longe das neuras da cidade grande lhe mostraram a importância da simplicidade e do contato com o verde. Isso explica porque ela se encantou tanto com a área externa nos fundos do terreno – mesmo cimentado e quase sem vida na época da mudança, o quintal lhe sorriu cheio de expectativas. Durante a pequena reforma na casa, a produtora abriu canteiros laterais no piso existente e criou seu pedacinho de terra para poder encher o lugar de plantas.

Por coincidência, a mãe de um amigo estava indo para um imóvel menor e precisava se desfazer de alguns vasos e pedras. Sem pensar duas vezes, Mariana abrigou as novas espécies e as dispôs livremente pelo jardim, ao lado da horta que ela já havia começado e das heras que sobem pelas paredes acompanhadas de fios iluminados. “Adoro plantar, cultivar, mexer na terra… Dedico algum tempo todos os dias para cuidar do jardim. É como uma terapia! As plantas respondem a isso e tudo aqui cresce muito e rápido.”, revela.

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Além de ser o espaço onde a moradora gosta de receber os amigos, praticar yoga, ler livros na rede e até tomar café da manhã, o quintal acomoda ainda o lavabo e a área de serviço, sabiamente camuflada por lindas cortinas de macramê feitas por Mari. A técnica, inspirada nos trabalhos manuais realizados por sua mãe e sua avó, foi a solução encontrada para esconder o que não precisava ficar à mostra, como o tanque e a máquina de lavar. A caixa de alvenaria onde ficam armazenados os botijões de gás também ganhou uma cortina, produzida com as sobras das cordas da outra e uma persiana de bambu.

Companhia indispensável nesse e em qualquer outro ambiente, a cadela Zahra está com Mariana há 11 anos, desde a época em que era apenas um filhotinho. “Chegar e ser recebida por ela é uma alegria diária. Comumente escuto que temos personalidades parecidas. Nos comunicamos com olhares, ela compreende e reage aos meus sentimentos. É uma relação difícil de se explicar em palavras, mas acho que toda pessoa que realmente ama o seu bicho de estimação sente algo parecido.”. Sem nenhum esforço, Zahra faz a casa ser ainda mais feliz e aconchegante.

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No piso superior, os dois dormitórios existentes foram divididos em funções bem específicas: um deles é o quarto da moradora, o outro se transformou em ateliê. Justamente por gostar de colocar a mão na massa e construir as coisas do zero, Mari concluiu que essa seria uma ótima maneira de ocupar o ambiente. Inclusive a mesa de trabalho, onde a máquina de costura fica sempre a postos, foi criada por ela com dois cavaletes e um tampo improvisado a partir de um dos tapumes usados na obra. O cômodo reúne ainda referências, ferramentas, projetos em andamento…

Filha de engenheiro, a produtora acompanhou de perto as criações de seu pai, então sua intimidade com a marcenaria e a parte elétrica também são herança de família. Só assim para explicar como ela conseguiu montar a grande cômoda que fica ao lado de sua cama. “Estava com dificuldade de encontrar um móvel com preço acessível e no tamanho que precisava. Comprei os gaveteiros para closet prontos e mandei cortar os compensados de madeira na medida certa para ‘encapá-los’. Chegando em casa, foi só montar – e com rodinhas na base, para ajudar na limpeza.”, relembra ela, que também produziu a luminária pendente sobre o criado-mudo.

A disposição das peças no quarto não teve muito mistério. De frente para a janela, a cama se beneficia da luz natural e tem vista para a rua tranquila da vila. Suportes para vasos com pernas alongadas entraram no lugar do segundo criado-mudo, criando uma dinâmica interessante na decoração. Feita por sua avó, a manta de crochê traz mais carinho ao espaço. Atravessando o pequeno corredor em frente à porta fica o banheiro principal, que teve os revestimentos antigos substituídos por modelos em branco, amarelo e rosa durante a reforma. A cortina, o lustre e o espelho feito a partir de uma janela reutilizada garantem um ar vintage.

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Sobre a ideia de morar sozinha, Mari é só elogios: “Prezo por um espaço essencialmente meu. Gosto de ter a liberdade de habitar esse lugar com a minha identidade, de poder construí-lo aos poucos e modificá-lo de acordo com a minha evolução pessoal. A casa é onde nos sentimos confortáveis, protegidos e aconchegados, por isso é preciso que ela seja uma extensão de nossa personalidade e valores.”. Impossível discordar, não?

Fotos por Isadora Fabian