Isa e Fábio são um casal criativo que decidiu trocar um apartamento apertado e novinho por uma casa bem maior, porém mal conservada. Ao invés de investirem pesado em uma reforma geral, eles decidiram se instalar primeiro na edícula, transformada em uma espécie de loft com direito a vista para as ruas arborizadas ao redor. Perdeu o começo da história? Então leia o Capítulo 1, onde falamos mais sobre essa etapa da obra.

… Fábio sempre acreditou que as coisas feitas à mão tinham um valor a mais, por isso ele encarou o orçamento reduzido como uma oportunidade de criar peças do zero e se aventurar no universo da marcenaria. Aliás, as próprias circunstâncias contribuíram para isso. Durante a construção do telhado houve um grande erro no cálculo da madeira que seria usada, então o casal acabou ficando com um “estoque” de placas de compensado. Como eles sabiam que esse material poderia ser útil, colocaram tudo em um quartinho na casa e montaram uma pequena oficina.

O que começou como um desafio acabou se transformando em uma nova paixão. Com a ajuda de vídeos do youtube e tutoriais, os dois conseguiram fazer as prateleiras da despensa, os banquinhos da cozinha e o criado-mudo do quarto. A mesa de jantar também é uma ideia de reuso que deu certo, já que o tampo foi feito com tábuas retiradas do antigo telhado. Cada qual com seu olhar, Isa e Fábio chegaram ao equilíbrio: ele é cuidadoso e perfeccionista, enquanto ela entende e aceita as falhas naturais dos objetos artesanais. Hoje eles se divertem quando comentam sobre algo que deu errado ou quando notam defeitos em suas invenções – afinal, errar faz parte da vida.

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Se as peças achadas e improvisadas já são importantes, os móveis herdados da família representam ainda mais lembranças e afeto. O sofá da sala pertencia aos pais da moradora desde que ela tinha quatro anos e apenas ganhou um novo estofamento antes de ir para a edícula. Toalhinhas de crochê costuradas pela avó de Isa se espalham pelos espaços delicadamente, assim como a almofada de retalhos de sua bisavó. No quarto, em frente às paredes de vidro que o deixam com ares de varanda, a cadeira de balanço de seu avô é um dos itens mais amados da decoração.

Algo que os dois herdaram da infância é a sensação de liberdade – e mesmo que seja intocável e invisível, ela os acompanha todos os dias. Ambos cresceram em casas abertas, com quintal e mato. Isadora vivia correndo e brincando com seus irmãos sem medo de se sujar, pegando fruta do pé e explorando esse mundo ao redor. Já o Fábio, que nasceu em uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, teve ainda mais contato com a natureza. Olhando para trás dá para entender porque o casal fez tanta questão de morar em um lugar com poucas barreiras e uma boa dose de verde.

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É impossível contar a história da Isa e do Fábio sem falar da Lucy, mesmo porque a mascote chegou na hora certa para curar dois corações partidos. Antes dela eles haviam adotado outra cachorrinha vira-lata que estava muito doente e havia sido rejeitada da ninhada. Fraquinha e com virose, ela acabou não resistindo apesar dos cuidados intensivos e de muito carinho. Depois desse episódio o casal ficou tão chateado que nem cogitava pegar outro animal de estimação, até que de repente eis que surge a pequena Lucy perambulando pela rua com seus 8 meses de idade. Dali em diante foi inevitável: os dois se entregaram inteiramente a ela, e ela a eles. Hoje a família de três aproveita junto cada momento dentro de casa ou durante os passeios pelas praças do bairro.

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Entrar nessa casinha é se sentir bem-vindo. As visitas chegam e tiram os sapatos, sentam no chão, pedem um café… E para o casal é um prazer receber os amigos – eles também fazem parte do lugar onde o universo de cada um acaba virando uma coisa só. Nesse espaço os dois sabem que a vida sempre pode ser mais leve, apesar dos problemas: “Nossa casa me passa a sensação de que nada de ruim dura pra sempre. Aqui a gravidade é levinha. Temos carinho por cada canto, um com o outro, pelas pessoas que recebemos e por todas as histórias que vivemos juntos e que ainda vamos viver aqui ou acolá. Amar é como estar em casa”.

A Isa tem um quê de poeta e um jeito lindo de enxergar a vida. Quer acompanhar mais de perto suas descobertas? Então conheça o blog dela e boa leitura.

Fotos por Rafaela Paoli