À segunda vista | Capítulo 2

A história de um apê antigo que conquistou seu morador aos poucos

Quando comprou seu apartamento no Largo do Arouche, o designer de interiores Marcel não imaginava que atualmente estaria tão imerso na região, comandando seu escritório e um bar também por ali. Para ele, a compra não passava de um investimento – um imóvel para reformar e encaminhar para outro dono. Foi pelo desenrolar das obras e pela convivência no bairro, que ele enfim notou o potencial do lugar, decidindo, então, fincar raízes ao lado do marido Antônio.

Na época da reforma, ele ainda não sabia que um dia viveria ali, então optou por uma planta polivalente, sem ideias muito personalizadas. Ainda assim, seu gosto pela estética antiga se fez presente desde o projeto de arquitetura, com destaque para a cozinha, que funciona como centro da casa. Na obra, o cômodo foi aberto para a sala de jantar, além de receber revestimentos novos: ladrilhos hidráulicos no piso e azulejos verdes de demolição no frontão. Com uma bancada de concreto e marcenaria preta, o designer considera que o resultado ficou básico, mas sem perder o seu estilo, caracterizado principalmente pelo flerte com o passado.

“Eu gosto de tudo o que é antigo. Quando viajo, por exemplo, fico em hotéis clássicos ou alugo apartamentos nos centros históricos das cidades”, conta Marcel. Em sua morada, esse gosto se traduz em diversas peças garimpadas espalhadas pelos ambientes, desde móveis de madeira escura até luminárias e objetos menores, como pequenos detalhes. Além do olhar nostálgico, filmes e séries de TV também o inspiram na tarefa de decorar. Apaixonado por design, ele diz que muitas vezes precisa reassistir a cenas inteiras pois se perde em meio à cenografia das produções.

No quarto, elementos como a cabeceira de couro e a escada servindo de cabideiro ajudam a criar um clima campestre, desligando um pouco do movimento acelerado da cidade. Marcel diz que durante a reforma optou por manter o apartamento com dois cômodos fechados: uma suíte, com closet, e um quarto simples — pensando em um projeto convencional para a venda do imóvel. Ainda que o esperado fosse que ele e o marido usassem a suíte para dormir, eles logo notaram que a inversão dos espaços se adequaria melhor a suas rotinas. Como não costumam receber hóspedes, o casal faz uso dos dois cômodos. Um para as horas de sono e outro para todo o resto: se vestir, fazer mala, tomar banho, etc. Para eles, adaptar a morada para o lifestyle de quem a habita é o que realmente agrega sentido ao lar, transformando-o em um lugar onde é possível se reconhecer.

Na mesma lógica, o morador relembra a importância de possuir objetos que, além de belos, sejam úteis e proporcionem alegria à rotina: “Quando era criança, morava em uma casa dos anos 70 bem divertida. Eu gostava de ficar na cozinha, subia numa cadeira e ficava abrindo os armários para procurar louças, pratas e vários outros itens que minha mãe nem lembrava que tínhamos. Então eu pedia a ela para que fizesse jantares para usarmos essas peças. Ela me convencia a comer peixe, que eu detestava, só para poder usar a louça! O ponto é que o legal não é ter as coisas, mas sim usá-las. Tenho pequenos prazeres em tomar suco de laranja num copo mexicano de vidro soprado, por exemplo, ou comer cereais numa cerâmica espanhola”.

Por ter uma relação tão próxima com o design de interiores, Marcel não se deixa impressionar com modismo e tendências. Na verdade, ele está sempre aberto para todos os tipos de peças e estilos. Para seus projetos e sua casa, as escolhas partem de um mesmo pensamento, que ele traduz em um frase simples: “Decoração boa é aquela que a gente tem vontade de ficar”. Em seu lar, quando a noite chega e as luzes se acendem, não há outro lugar que ele prefira estar.

Fotos por Luiza Florenzano

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COMENTÁRIOS # 1

  1. maravilhoso!!!! historias apaixonantes…

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