À segunda vista | Capítulo 1

A história de um apê antigo que conquistou seu morador aos poucos

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

O designer de interiores Marcel descobriu uma joia rara bem no centro de São Paulo: o prédio em que vive, no Largo do Arouche, é um dos poucos exemplares da cidade no estilo Art Déco. Projetado em 1928 e finalizado no começo dos anos 30, sua arquitetura conta histórias sobre o período que se seguiu até meados da década de 1960, quando a região era tida como um dos pontos mais elegantes de São Paulo, concentrando lojas e restaurantes finos. De lá para cá, o cenário mudou, e hoje essas construções antigas contrastam e se misturam com novas demandas e estilos de vida dos moradores.

“Muita gente torceu o nariz quando eu disse que iria mudar para o Arouche. Saí de um apartamento com 2 vagas de garagem para este sem vaga alguma. Demorei só 3 dias para me acostumar. Foi rápido, e desde então, gosto cada vez mais de morar aqui. É como uma cidadezinha do interior dentro do centro, onde todo mundo se conhece, se cumprimenta na rua. Como os edifícios não têm garagem, as pessoas andam pelas calçadas e se encontram. Isso é muito saudável”, conta.

Na verdade, quando comprou o apartamento, há cerca de 5 anos, o designer não pretendia se mudar para o endereço. O plano era comprar, reformar e vender, como uma forma de investimento, mas quando tudo ficou pronto, Marcel teve pena de passar o imóvel adiante, então resolveu alugá-lo por um tempo. No fim, ele acabou se tornando amigo do locatário, o que fez com que frequentasse o apê e o bairro. Quando o contrato terminou, ele e o marido Antônio passaram a viver ali.

Já que a reforma foi pensada inicialmente como um investimento, a planta ficou bastante versátil. A princípio, o apartamento não possuía sala de estar, então os cômodos foram reconfigurados e um dos quartos acabou perdendo as paredes para dar mais espaço à área de convivência. Quando Marcel enfim se mudou, poucos ajustes bastaram para adaptar o apê: alguns itens extras de marcenaria; iluminação e cortinas novas; e uma troca na resina do piso, para dar um aspecto mais antigo. “Foi engraçado que dei uma festa um dia após a mudança e tudo já estava no lugar. Quadros nas paredes, livros organizados… um amigo de amigo chegou a me perguntar há quantos anos eu morava lá”, ele lembra.

O trabalho na área de interiores influencia bastante o visual do apartamento e o morador conta que está sempre mudando as coisas de lugar: “Vendo peças para clientes, garimpo, troco. É como um laboratório. A gente muda e a casa tem que acompanhar”. Com um estilo próprio de decorar que chama de clássico contemporâneo, Marcel brinca com o passado e o presente, deixando sua casa com um ar de antiga, porém repaginada, onde os itens e épocas se misturam e criam um clima acolhedor.

Por gostar tanto da região, pouco tempo de morada foi o suficiente para que o designer se visse envolvido em outro projeto por ali. Atualmente, junto a seus sócios, ele comanda o Barouche — um bar no piso térreo do prédio em que vive.  Trabalhando em dupla jornada, sempre com clientes e amigos, ele pensa em seu apê como um refúgio, onde pode aproveitar a própria companhia e a de Antônio.

Para o designer, uma casa em São Paulo precisa ser gostosa e servir como um contraponto ao caos e à bagunça da cidade. E na dele — com direito a móveis antigos e ladrilhos hidráulicos — os ponteiros do relógio parecem até andar mais devagar…  * Quer conhecer os outros espaços do apê? Então veja também o Capítulo 2 dessa história! 

Fotos por Luiza Florenzano

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COMENTÁRIOS # 1

  1. Morar no centro de uma cidade é vida! Vivo essa experiência a pouco mais de 6 meses e tem sido tudo de bom. E que lindeza de apartamento! Mais uma história de casa super bacana de conhecer. 🙂

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