Casa Fuerte: sangue latino

Um espaço multicultural focado em design, arte e botânica

Quando a designer Dai Cavalcante e o ilustrador Jonas Gomes se mudaram para uma casa na Lapa, com um quintal espaçoso e aconchegante, não demorou para que o lugar logo se tornasse ponto de encontro para seus amigos artistas. As reuniões aconteciam em meio às plantas, cadeiras e obras de arte, sempre envolvendo músicas, debates, botânica e cultura. Quando se deram conta da riqueza do que acontecia, o casal teve a ideia de institucionalizar essa vivência, dando ao espaço o nome de Casa Fuerte.

Por pouco mais de um ano, entre 2017 e 2019, os eventos continuaram acontecendo no mesmo endereço, até que a casa se tornou pequena para a proporção que as coisas atingiram. Foi a partir daí que Dai e Jonas perceberam que poderiam desenvolver o que tinham para além de um ponto de reuniões. Por que não abrir um espaço multicultural, com direito a shows, exposições, plantinhas à venda e muito mais? E foi isso mesmo o que eles fizeram!

Inaugurada em fevereiro, a nova Casa Fuerte conta com dois andares e consegue acomodar todo o tipo de arte. Como bons brasileiros, Jonas e Dai se interessam em especial pela cultura latino-americana, por isso essa identidade é sempre lembrada, seja pelo nome do espaço ou pelos artistas que assinam as obras que lá estão: “Somos apaixonados pelos países da nossa região e percebemos a necessidade de dialogar, trocar e aprender a partir da produção deles. Sentimos que o brasileiro em geral se enxerga um pouco fora da identidade latina e ficamos tentados a recriar essas pontes”, explica Dai.

Achar o imóvel certo não foi uma tarefa fácil, ainda mais porque o casal já tinha em mente uma ideia bem concreta do que queria. “Precisávamos de um lugar cru, com estética mais industrial. Outra exigência era que fosse no bairro da Lapa, onde enxergamos muito potencial e nos identificamos demais com a vizinhança”, conta a designer. Quando por fim encontraram o que procuravam, a parede de tijolos aparentes e o mezanino deram o toque final.

Após poucos ajustes, como transformar a garagem na sala de entrada e iluminar adequadamente a parte dedicada às exposições, era hora de decorar. Para isso, o arquiteto mexicano Barragán foi o principal nome lembrado nas inspirações. Jonas e Dai explicam: “A vibração presente no seu jogo de blocos de cores e texturas, e no contraste entre o áspero e liso, carrega esse minimalismo poético que a gente buscava. Além de agregar ao lado botânico, realçando os produtos que se encontram à disposição”.

As plantas também cumprem papel importante na sensação de conforto. São nas horas de movimento mais calmo que Dai suja suas mãos de terra para criar arranjos e cuidar de suas espécies. “Combinar arte com botânica é o jeito que vivemos a nossa casa e isso acaba desaguando aqui, em nosso trabalho”, diz.

ACHADINHOS NA CASA FUERTE

NOSSAS PEÇAS FAVORITAS

Apesar do espaço não ser moradia, muitas dicas podem ser aproveitadas em casas, como a divisão do galpão em ambientes menores e mais aconchegantes e o uso de tijolos e madeiras reaproveitadas para a criação de pequenos aparadores e suportes de plantas. A estética industrial também foi uma solução boa para minimizar custos, então as estantes de vergalhão entraram em diversos lugares, até mesmo debaixo da escada, como um truque de otimização de espaço. As flores e o verde, naturalmente, deram o último sopro de vida necessário.

Para Dai, sua personalidade e a de Jonas estão impressas por todos os cantos: “As cores vibrantes, o ambiente agregador, o capricho nos detalhes, o pé-direito alto e as portas abertas. A Casa Fuerte é a nossa cara!”

Fotos por Luiza Florenzano

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