Não espere cruzar com a palavra minimalismo ao desvendar os encantos dessa casa. Para começar, a sala tem uma vasta coleção de quadros, papel de parede estampado e algumas dezenas de plantas ocupando os cantinhos livres. A responsável por essa mistura boa é a designer e artesã Bruna, defensora do faça você mesmo e do feito à mão. Com a ajuda do marido, o cineasta André, e do filho Leon, ela criou espaços que exalam personalidade e não se prendem a regrinhas de que tudo deve estar combinando para ficar bonito. “A nossa decoração não tem muita regra, só tem amor, mesmo! Acho que o segredo é que tudo faz sentido para quem mora aqui”, ela diz.

Faz mais ou menos um ano que o casal decidiu realmente se empenhar na decoração do apê alugado na Vila Madalena. A configuração original da planta era boa e os acabamentos estavam bem conservados, então eles não chegaram a fazer grandes reformas – nem mesmo precisaram pintar as paredes, o que já foi uma bela vantagem. “Nós não reformamos nada, só entupimos de quadros e plantas!”, Bruna brinca. Muitas vezes, preencher os cômodos com diversos itens pessoais já é o suficiente para deixar a casa mais gostosa e com a cara de quem vive nela. Sem nenhum quebra-quebra ou altos investimentos envolvidos.

Bruna sempre gostou de trabalhos manuais, mas nos últimos tempos essa paixão se intensificou ainda mais. “Eu tenho um problema com o ‘faça você mesmo’, porque levo a sério demais e, quando vejo, estou mexendo até na parte elétrica sozinha. Gosto de ter objetos feitos por mim, gosto de comprar de pequenos produtores e artesãos. Fora que é tão gostoso poder falar um ‘Eu que fiz!”, a moradora conta. É verdade que o background profissional de Bruna também a guiou por esse caminho – aliás, desde a época em que era adolescente e bailarina, quando costumava costurar sapatilhas e idealizar figurinos.

De lá pra cá, Bruna se formou em moda, fez cursos de gastronomia e teve um ateliê de projetos manuais. Ela estava sempre inventando alguma coisa, até que seu filho Leon nasceu e chegou o momento de fazer uma pausa de 2 anos para se dedicar exclusivamente à primeira infância dele. “Agora que ele começou a ir para a escolinha, tudo aquilo que eu tinha deixado de lado voltou borbulhando na minha cabeça e no meu coração”, explica. Mas engana-se quem pensa que nesse meio tempo a moradora ficou parada. Bruna começou a criar conteúdo digital, fez um blog com vídeos de suas receitas e agora volta com tudo aos projetos manuais, inclusive oferecendo workshops que acontecem em seu próprio apê.

Outra vocação poderosa descoberta após a maternidade foi o amor pelas plantas. “Há tempos eu vinha pensando em ter plantas, mas nunca tive coragem, porque achava que iria matar todas. Quando me tornei mãe e vi que eu dava conta de uma criança, percebi que com toda a certeza eu também daria conta de plantas!”, diverte-se. O primeiro vasinho talvez até tenha chegado mais tímido, porém em 1 ano a selva particular do casal cresceu e se espalhou por todos os cômodos do apartamento. E Bruna ainda quer mais: sua lista de espécies que faltam na coleção é grande!

“Eu sempre fui uma pessoa ansiosa e estressada. Achei que nessa nova fase da minha vida, era importante levar tudo de uma maneira mais leve, mais saudável e mais calma. Ter plantas me traz paz. Chegar em casa é respirar mais leve, é poder passar isso para o meu filho. Ele, inclusive, tem seu próprio regador e me chama todos os dias para regarmos os vasos juntos!”.

Seguindo essa linguagem botânica, o papel de parede na sala de jantar é outro detalhe que impressiona quem chega. O modelo da marca branco. papel de parede foi instalado recentemente, mas já mudou o clima do apê. Bruna conta que antes a decoração desse espaço era um pouco séria, e agora a paleta de cores está mais diversa e alegre. “Agora gosto até de comprar flores, coisa que nunca fiz, para deixar a casa mais florida ainda. Acho que o papel complementou a sala de uma maneira muito especial!”, ela fala.

A decoração do apartamento de Bruna, André e Leon é um entrelaçar de memórias. Alguns objetos vieram da festa de casamento, feita por eles mesmos; outros foram da avó da moradora; vários quadros e pôsteres vieram de viagens; os brinquedos se espalham pela casa sem fronteiras entre o mundo dos adultos e o das crianças… tudo muito especial e ao mesmo tempo simples. “Essa casa é muito nós, ela conta nossa história. A gente é muito feliz aqui!”.

Fotos por Luiza Florenzano