Nós respiramos decoração todos os dias e vivemos cercadas de referências legais aqui no blog, então era inevitável que nossa casa se transformasse em um lugar para testar ideias também. De tanto mudar aqui e ali, decidimos compartilhar nossas aventuras e reformas com vocês. Acompanhem!!!

O quarto para mim é sinônimo de um lugar para relaxar, de um refúgio para descansar no final do dia. Mas o meu quarto não conseguia me transmitir essas sensações. Não que fosse um espaço desagradável, mas ele era um acúmulo de móveis que vieram das nossas antigas casas e não eram peças que nós gostávamos tanto. Sou uma pessoa da praia e do mar e queria que o meu quarto tivesse elementos que remetessem a esses cenários, aí veio o estalo de que o tijolinho branco poderia ser uma boa ideia por ser bem rústico. Principalmente no meu caso, já que faz parte da estrutura original do prédio – ou seja, ele não fica todo bonitinho, lisinho, etc – então deixaria o ambiente com uma cara mais relax e praiana.

Antes das mudanças que fizemos, os móveis antigos e descombinados deixavam o espaço com um estilo indefinido. Por exemplo, apesar da cama de casal ser bonita, eu não gostava nada daquela cor amarelada da madeira. Então isso também entrou na lista de melhorias.

ANTES

Moro em um prédio da década de 1950, época em que as construções eram feitas para durar. Na primeira reforma que fiz no apartamento, antes de nos mudarmos, descobrimos que a sala tinha a estrutura de tijolinhos, então descascamos e ficou lindo. Mas quanto ao quarto eu não sabia direito, então investiguei com vizinhos, zelador e moradores mais antigos até ter certeza de que os tijolinhos estavam lá. Assim não precisaria quebrar só para descobrir. Uma casa que me inspirou bastante para tomar essa decisão foi a do Fabrizio e da Lena, pois no dia em que fotografamos o apartamento deles, o tijolinho me passou uma sensação de aconchego.

Depois que decidi que iria mesmo quebrar, fiz um orçamento para entender se seria viável ( e era), marquei um dia para começar a obra e voilà. Mas ver a sua casa ser tomada por pó e sujeira não é tão fácil. Os pedreiros vieram com uma máquina Makita e iam tirando camadas de parede muito grossas. Fez bastante sujeira, riscou um pouco o piso de madeira (dica: proteger muito com papelão para evitar esses incidentes), rolou arrependimento momentâneo…, mas no final deu tudo certo.

Durante o quebra-quebra, tivemos outra surpresa: descobrimos conduítes que cortavam alguns tijolos. Na hora me deu um medinho de como ficaria, mas depois entendi que era uma parede rústica e assumir aqueles detalhes não seria um grande problema. Preenchemos com massa para disfarçar e pronto. Depois da parede descascada, rolou a dúvida se pintava ou não de branco. Dormi uma noite no quarto com o tijolinho natural, mas achei que ficou um pouco pesado. Hoje acho que o branco foi a decisão certa e a sensação quando tudo ficou pronto foi a melhor do mundo: aconchego e cara de casa na praia!

Aliás, aproveitei o mesmo pintor para laquear a minha cama de branco e acredito que isso fez muita diferença no resultado final. A cama ficou linda e parecendo novinha com um custo muito mais baixo do que comprar uma nova. Hoje eu amo o meu quarto. Ele consegue me levar para a praia e me faz relaxar do caos urbano.

DEPOIS

Decidi não usar muitas cores ou informações na decoração para que o ambiente conseguisse transmitir a sensação que eu queria. Minha escolha foi o azul (minha cor preferida) e o branco. Aos poucos fui complementando com itens que eu queria bastante, como quadros, uma roupa de cama legal e outros acessórios, como a peseira com um trabalho de shiburi que trouxe de uma viagem ao Laos, um leque de palha que veio de Honolulu…

Queria também almofadas no tom índigo, mas nunca achava exatamente o que imaginava. Até que um dia encontrei uma toalha de mesa indiana feita com um tecido nesse tom com estampa de bolotas que me pareceram um trabalho de block printing. Não tive dúvidas: arrematei na hora e levei para uma costureira transformar em duas almofadas (e uma colcha!).

Hoje uso muito mais o quarto para ler, meditar e praticar yoga. Ainda não está totalmente finalizado, mas acho que nunca estará!

ANTES & DEPOIS: TIRA-TEIMA

Como ter uma parede de tijolinho?

Essa foi a história do meu quarto, mas se você também quer ter uma parede de tijolinho, confira abaixo as respostas para algumas das perguntas mais comuns sobre o tema. Para quem não lembra, fizemos um convite no instagram para que os leitores mandassem suas principais dúvidas, e aí estão elas. Pedimos à equipe do Estúdio Penha para nos ajudar a responder, pois eles são especialistas no assunto e sempre utilizam esse recurso em seus projetos.

Qual é a melhor maneira de descobrir se uma parede é feita de tijolo? Só quebrando mesmo?

Estúdio Penha: Existem alguns jeitos, como saber a data de construção da casa, o que facilita identificar os métodos construtivos utilizados na época; verificar a espessura das paredes existentes, se possível, pois as construções feitas de tijolinho costumam ter uma espessura maior; ou fazendo uma inspeção nas paredes. Esta inspeção pode ser feita quebrando um pouco da área, mas o ideal é fazer um rasgo na parede inteira horizontalmente para checar, pois em lugares onde foram feitas reformas é possível que exista paredes com partes em tijolinho e outras não.

É preciso usar seladora ou algum outro tipo de produto nos tijolos para preservá-los ou para que não soltem poeira com o tempo?

Estúdio Penha: Sim! Existem várias seladoras, vernizes e silicones líquidos que podem ser aplicados. Porém, dependendo da marca ou especificações do material, eles podem alterar a cor dos tijolos. Se recomenda depois da limpeza pós-obra, a aplicação do verniz brilhante e logo em seguida o fosco. Também podemos aplicar silicone líquido – ele requer uma manutenção mais frequente, porém realmente não altera em nada a cor do tijolo. Existem oleofugantes, hidrofugantes e resinas que podem ser utilizadas, mas o recomendado é fazer um teste antes de aplicar o produto na superfície toda.

E quando o morador pretende pintar? Qual a recomendação?

Estúdio Penha: Se possível, pintar com revólver de tinta para a pintura entrar em todas as superfícies.

E quando a parede fica na área externa? Os cuidados são diferentes?

Estúdio Penha: Deve-se aplicar impermeabilizantes que permitam que a umidade não entre dentro do tijolo, como resinas, vernizes ou hidrofugantes.

Quando a parede que será descascada tem infiltração, o que pode ser feito? Só descascar já resolveria?

Estúdio Penha: Tem que investigar de onde vem essa infiltração e resolvê-la. Descascar não vai resolver.  É preciso identificar por que acontece, se é vazamento, umidade externa, etc.

Se o imóvel não possui tijolos em sua estrutura original, que revestimentos costumam indicar para reproduzir esse efeito?

Estúdio Penha: Se queremos um acabamento similar, recomendamos revestir com tijolo de demolição. Costumamos comprar de fornecedores que já vendem ele cortado ao meio para servir como revestimento. Aconselhamos reproduzir o efeito do tijolinho com materiais naturais que tenham em si uma política de reuso para que o resultado não seja uma coisa falsa.

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Ainda tem dúvidas? Então mande sua pergunta nos comentários do post que nós respondemos!

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia / O arranjo incrível é da Ana Attab, do Varanda Flores