Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Já imaginou ter que conciliar quatro personalidades diferentes em uma única decoração? O que poderia ser um drama para alguns é um processo divertido para os moradores desse apartamento. Beatriz, Cadu, Guido e Hannah são quatro arquitetos e amigos que dividem o mesmo teto – e isso significa que boas inspirações não faltam nessa turma. “Nós entramos na faculdade de arquitetura e urbanismo da USP juntos e desde então compartilhamos horas e madrugadas de trabalho ou dias de viagens. As referências e experiências são divididas com muita facilidade”, eles dizem. Sem neuras, o ímpeto criativo de cada um tem espaço garantido.

Antes de encontrarem esse apartamento amplo no bairro Cerqueira César, Bia, Cadu e Hannah viviam juntos em outro imóvel na mesma região, por isso não queriam se mudar para longe. O atual prédio onde moram era uma vontade fixa da Bia, que tinha o visitado alguns anos antes. “Soubemos que existia um apê vago e foi amor à primeira visita. Foi quando chamamos o Guido para dividir o quarto dormitório”, contam. Por sorte, o apartamento estava bem conservado e mantinha os revestimentos originais dos banheiros, então não foi preciso fazer nenhuma reforma – o grupo apenas pintou paredes e portas.

O espírito coletivo está presente em cada decisão da casa, mas tudo acontece de forma muito natural. Os quatro moradores gostam de espaços aconchegantes e pouco rígidos, então as coisas vão se somando na medida em que o tempo passa. Segundo eles, o apê realmente tem um clima de somatória, por isso se tornou um lugar para compartilhar a intimidade de cada um sem perder a ideia de que eles formam um conjunto. “A vontade de dividir o apartamento entre pessoas muito próximas, que compartilham afinidades e modos de viver, é conseguir construir um ambiente ao mesmo tempo familiar e de liberdade. Cada um em seu quarto preserva sua total privacidade, mas o que entra nos outros cômodos é dividido, com pouco ou nenhum desentendimento. Temos essa clareza de buscar acolhimento acima de tudo”, falam.

Os arquitetos aproveitaram a amplitude do imóvel para montar espaços comuns que favorecem o encontro. A sala, por exemplo, tem múltiplas funções: estar, jantar e trabalhar. Tudo se funde, possibilitando que as atividades nesse ambiente aconteçam sempre com a participação do outro. Ao contrário de uma república, onde na maioria das vezes as coisas não se conversam, aqui a decoração e as referências formam um conjunto agregado – resultado do diálogo constante entre os moradores.

“Diríamos que duas coisas são compartilhadas como itens aos quais todos nos apegamos: um é o sofá, uma bomba de aconchego. Ele foi comprado de um grande amigo a preço de banana, e é suporte de risadas, cochilos e abraços. A outra são as plantas, todo mês temos uma planta nova e compartilhamos dessa vontade de ter uma selva dentro de casa”, o grupo diz. Isso sem contar a parede de quadros, uma verdadeira coletânea de memórias. “Ela é um conjunto de apegos, de amigos doando para amigos, é um agregado de gestos carinhosos”, completam.

Sem dúvida, o apartamento da Bia, do Cadu, do Guido e da Hannah tem muito carinho envolvido. E muitas lembranças também. Por ironia do destino, já que se trata de um lar repleto de arquitetos, a casa foi acontecendo sem muito projeto – mesmo porque o imóvel é alugado. Cada um traz os objetos que mais gosta e assim é criado o conjunto, então todos se sentem representados em cada canto. * Clique no CONTINUA para ver o restante da matéria!

Fotos por Luiza Florenzano

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