Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Como transformar um apartamento alugado em um lar cheio de aconchego e alma? Esse era o dilema da consultora Marina e do empreendedor Frederico em seu apê na Vila Madalena. Para complicar ainda mais as coisas, o casal tem uma rotina intensa de trabalho e duas filhas pequenas, então a decoração acabou ficando em segundo plano durante um bom tempo. “Quando nos mudamos foi meio na correria, então não investimos muito, só rearranjamos nossos móveis e pintamos algumas paredes. Dois anos e duas filhas depois e de repente a casa estava meio de cabeça para baixo, uma mistura de brinquedoteca e depósito de entulhos”, a moradora explica.

Depois que Marina se deu conta de que o apartamento poderia ficar mais agradável, ela resolveu investir em melhorias rápidas e certeiras, sem quebra-quebra. O apê já tinha a cozinha integrada com a sala e o escritório aberto – o que o casal adora, pois assim eles podem estar juntos mesmo quando cada um está fazendo uma coisa diferente – porém alguns detalhes decorativos não os agradavam, então a ideia era repaginar esses elementos e criar espaços mais acolhedores para eles e as crianças.

O makeover do apartamento começou com o pé direito quando o casal convidou Lívia Amaral, criadora da Casa Sopro, para orquestrar as transformações que eles tanto sonhavam. “A Lívia sempre foi uma referência de bom gosto e praticidade para nós. É só entrar na casa dela que você percebe sua habilidade para criar um ambiente gostoso e prático para a vivência da família. Uma casa que serve para ser vivida mesmo, sabe? Bonita, mas funcional. Ela junta uma coisa daqui, outra dali, e com pouco investimento revoluciona o lugar”, Marina diz. E foi justamente essa ‘mágica’ que Lívia realizou no apê alugado.

Uma das coisas que o casal menos gostava era a divisória de vidro que separava a cozinha da sala, então essa foi a primeira mudança da minirreforma. O acabamento de cimento queimado nas paredes da sala também impactou o visual, assim como a porta de entrada pintada de azul. Algumas prateleiras estratégicas foram instaladas na cozinha para ajudar no armazenamento e novos quadros, ganchos e espelho agora completam as paredes. Certos móveis e acessórios foram trocados por modelos mais interessantes: tapete, sofá da área de TV, almofadas… para completar, os brinquedos e livros ganharam uma organização mais prática e os espaços agora trazem plantinhas de diferentes portes.

“Lívia trouxe uma série de referências que nos ajudaram a pensar. Um clima de conforto que misturava cimento, madeira e verde era nosso objetivo. A partir dessas referências estudamos o que sairia, o que seria reformado e o que precisávamos comprar”.

No escritório, com parede escura e estante de trilho instalada pelos moradores, a transformação foi mais um trabalho de organização para que os livros e objetos queridos ganhassem o merecido destaque. Aliás, é nesse ambiente que fica um dos móveis mais especiais: a poltrona Eames. “Quando namorávamos, Fred morava em um apartamento com pouquíssimos móveis. Convenci ele de que uma poltrona dessas seria ideal para a sala quase vazia. Ele se apaixonou pela peça, mas quando viu o preço se frustrou. Eu disse que dividiria com ele e, quando morássemos juntos mais para frente, seria um móvel nosso. Compramos. Pouco depois, o convenci de que ele deveria trocar o sofá para acompanhar melhor a poltrona. Na loja, fiz a mesma proposta de rachar o custo pensando em um lar em conjunto no futuro. Ele olhou para mim e falou: ‘Mas já que você está pagando por quase tudo, por que não vem morar comigo agora?’. E assim juntamos nossas escovas de dentes. Por conta de uma poltrona”, ela brinca.

Marina confessa que é bagunceira, enquanto Fred é bem organizado, então o apartamento de alguma forma atende um pouco aos dois: não é impecável, e nem precisa ser. Arrumado, porém também descontraído, o apê tem características tanto dela quanto dele, e ao mesmo tempo tudo fica junto e misturado numa coisa só. * Quer ver mais fotos? Amanhã publicamos aqui o Capítulo 2, então fique ligado!

Fotos por Luiza Florenzano

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