Durante seis anos essa quitinete de apenas 23m² ao lado do Copan, no centro da cidade, foi o lar do maquiador Dindi. Antes de se despedir de vez do endereço, (Dindi está de mudança para um novo apartamento) ele quis compartilhar o que aprendeu nesse meio-tempo. É, porque viver com uma máquina de lavar dentro do banheiro e uma cozinha onde só cabe uma pessoa por vez não é nada fácil, mas quem disse que os espaços pequenos não podem ser charmosos, confortáveis e cheios de histórias também?

“Antes eu morava no litoral em uma casa espaçosa com a minha família. O apezinho foi minha primeira casa em São Paulo e foi um desafio me adaptar, principalmente porque sou uma pessoa que faz diversos trabalhos manuais e que, portanto, precisa de espaço para guardar os materiais e equipamentos”, ele explica.

O grande trunfo do apartamento é o layout pensado pelo morador – em um só cômodo foi possível criar diferentes funções de acordo com os móveis usados em cada ‘cantinho’. A sala e o quarto são representados pelo sofá-cama com base de pallet, o office/ateliê/jantar foi resolvido com uma mesa pertinho da janela e a cozinha se divide em duas partes:  a área do fogão e do frigobar, dentro da sala, e uma área separada com a pia e uma bancada mini.

Outro motivo que faz o apê ser especial são as características arquitetônicas de época – depois de investigar um pouco, Dindi descobriu por acaso que o prédio foi erguido nos anos 30. “Sempre me questionei sobre isso e comecei a procurar um jeito de descobrir a data de construção. Eu presumia ser da década de 1940, até o dia em que estava incomodado com o espelho do banheiro e resolvi trocá-lo. Quando tirei a peça, ela tinha uma etiqueta intocada com um carimbo datado de 1938”, ele lembra.

Antes da chegada do maquiador o imóvel ficou fechado durante muitos anos e isso acabou evitando que ele fosse reformado – ou seja, tudo era original: os tacos do piso, os revestimentos do banheiro e da cozinha, as louças… apaixonado por essa atmosfera vintage, Dindi não quis descaracterizar os ambientes, então ele mudou o mínimo possível. Seu melhor aliado foi a pintura, que de certa forma ajuda a setorizar as funções dentro do cômodo integrado.

Justamente por não ter tanto espaço disponível, Dindi precisou escolher os móveis com calma e de acordo com suas necessidades principais. Se preciso fosse, ele rodava a cidade até encontrar uma prateleira na medida exata de sua parede. “Penso muito em sustentabilidade e em investir em itens que perdurem. Também gosto de garimpar coisas. Sempre vasculho caçambas e frequentemente vou a bazares e brechós para dar uma sondada”, ele diz. É por isso que a decoração tem detalhes tão diferentes.

3 ideias de decoração para quitinetes:

* Não estabelecer usos restritos às coisas: Dindi aprendeu a escolher móveis versáteis e compactos, como a cama de pallet que também é usada como sofá ou a mesa de jantar que também serve para trabalhar. Assim a decoração não fica engessada. “Uma cadeira pode ser um criado-mudo ou servir para acomodar as visitas, por exemplo”, ele fala.

* Setorizar o ambiente por uso:  A organização sempre será de grande ajuda para quem mora em espaços pequenos. No caso de Dindi, tudo é bem dividido. O que é relacionado à alimentação fica em um canto, as roupas e itens de uso pessoal em outro, os materiais de desenho e costura em outro, e assim vai.

* Não abrir mão dos detalhes: Não é porque a casa é pequena que ela deve ser vazia também. Dindi não entulhou o cômodo, mas fez questão de decorá-lo com muitos objetos e lembranças. “Acabei transformando cada canto em um pequeno universo e isso me fez desfrutar o apartamento de maneiras diferentes”.

Fotos por Luiza Florenzano