Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

A luz se espalha por todos os lados no apartamento da arquiteta Manuela, sócia do Estúdio Deixa. Além da varanda estreita que vai de ponta a ponta e convida o sol a entrar sem cerimônia, os materiais clarinhos usados pela moradora reforçam essa atmosfera sossegada, como se o lugar fosse um refúgio suspenso sobre a cidade. “Eu morei quase a vida toda em casa, então tinha medo de me sentir ‘enclausurada’ em um apê, mas aqui o clima é o oposto”, ela fala. De fato, as grandes aberturas e a vista para o horizonte trazem uma agradável sensação de liberdade.

Quando Manu começou a procurar um imóvel bacana para morar, ela não imaginava que encontraria algo tão rápido, mas no fim teve muita sorte: “Esse foi o primeiro apartamento que visitei. Depois estive em mais uns sete endereços para comparar, porém nenhum superou esse”. Com 75m² incluindo a área da varanda, o apê mostrou ter uma ótima disposição espacial, o que facilitou todas as mudanças realizadas pela arquiteta e suas sócias. “Como os espaços estavam totalmente pelados, foi uma boa oportunidade de projetarmos tudo do zero, desde o layout dos ambientes até o desenho do mobiliário”, Manu explica.

O ar minimalista da decoração não é por acaso. Manu não gosta de coisas acumuladas, por isso os ambientes trazem poucos móveis e objetos – apenas os mais significativos para a moradora. “Não precisei comprar quase nenhum móvel, a maioria foi herdada da minha família”, ela diz. Já as peças menores são lembranças colecionadas ao longo dos anos, como itens trazidos de viagens ou presentes. A escrivaninha e a mesinha de centro, por exemplo, foram criadas nos anos 40 e 50 e pertenceram aos avós paternos da arquiteta. Outros detalhes especiais são o espelho de sua bisavó que fica no quarto e a raquete de tênis antiga pendurada sobre a porta de entrada, mais uma relíquia de seu avô.

“Na arquitetura é essencial buscarmos o que emociona cada um. Aqui, a concisão e a simplicidade expressam um lugar com o qual me identifico”. Segundo Manu, o segredo para que a decoração minimal e predominantemente branca não tenha um efeito frio e pouco acolhedor é misturar materiais com texturas variadas, como o metal branco, a madeira e o granilite usados na reforma. Além disso, o fundo neutro facilita mudanças futuras e faz com que a individualidade dos objetos sobressaia.

A beleza do apartamento de Manu realmente mora nos pequenos detalhes. Um deles é o rasgo na parede entre a sala e o banheiro. Inicialmente essa abertura foi feita para trazer mais luz ao cômodo, porém depois a moradora percebeu que o rasgo também poderia servir como suporte para uma luminária. Para brincar com diferentes efeitos e cores, ela instalou ali uma luz rosa tubular que, quando acesa, transforma completamente o apê e cria um clima de festa.

“Me considero uma pessoa leve e acho que meu lar reflete isso. O que eu mais queria era uma casa iluminada e arejada, alto astral, com espaço para receber bastante gente. Por isso a varanda é muito importante para mim, ela dá o tom do apartamento”, Manu define. * Gostou do apê e quer ver mais fotos? Então clique abaixo e leia também o Capítulo 2. 

Fotos por Gisele Rampazzo

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