Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Quem dirige apressado pelas ruas do Itaim-Bibi nem nota a pequena vila de fachadas coloridas onde os empresários Marina e James criaram seu lar. “Eu e o James nascemos e fomos criados em casas, então não éramos aquelas crianças de apartamento. Embora eu more em São Paulo e ame essa coisa urbana e agitada, sentíamos falta das raízes: de ter quintal, plantas e espaços abertos. Foi então que achamos essa casinha e nos apaixonamos por ela”, Marina explica. Aliás, os encantos da casa são fáceis de perceber – ela tem cores alegres, uma luz gostosa, ambientes acolhedores e uma área externa que virou ponto de encontro.

Antes de se mudar para o endereço o casal precisou fazer vários reparos no imóvel alugado – afinal, nem tudo é perfeito. Segundo eles a construção estava bem vazia, com algumas paredes descascadas, mato crescendo no jardim e uma aparência meio abandonada, mas mesmo assim os futuros moradores conseguiram enxergar o potencial da casa e se animaram para transformá-la gastando pouco. Para começar, eles pintaram tudo de branco, incluindo a fachada, e adicionaram toques de vermelho nas portas e janelas. A jardinagem foi refeita e os cômodos ganharam novas prateleiras e quadros, além de muitos detalhes criativos na decoração.

Para Marina e James, viver de aluguel não significa ter uma casa sem personalidade: “Nossa maior sacada foi procurar alternativas que fizessem a diferença sem grandes investimentos, como o paisagismo, as cores e a iluminação”. Os móveis herdados de família e os mimos trazidos de viagem também ajudam a criar essa atmosfera pessoal e aconchegante. “A maioria das peças tem uma história aqui. Nossos xodós são o armarinho da sala, que era da minha bisavó e passou por todas as gerações até virar meu; a mesa lateral de tronquinho de madeira, feita pelo meu pai; e o jogo de porcelanas inglesas, um legado da minha avó paterna”, a moradora diz.

James também fez suas contribuições à decoração, a começar pelo mapa-múndi gigante na sala de jantar, trazido de seu antigo endereço. “O mapa caiu como uma luva. Amamos e ficamos pirando nos países que queremos visitar ou nos lugares que já conhecemos”, Marina conta. Além disso, todos os tapetes da casa são de sua empresa, a Tenda dos Tapetes. Com estampas e cores clarinhas, eles são outra dica bacana para quem mora em imóveis alugados, pois escondem o piso caso o acabamento não esteja em bom estado.

A cozinha é pequenina, mas cheia de itens charmosos, como o armário verde menta e a prateleira superior que deixa as panelas e utensílios do dia a dia ao alcance das mãos. Cobrindo metade da parede, o lambri de madeira pintado de branco evoca um clima de casa de praia que combina muito com o casal. Marina explica que a decoração desse e dos outros espaços vai evoluindo com o tempo e com as necessidades da rotina. “É uma casa em eterna construção. A gente vai vendo o que falta, o que fica melhor, e vamos adaptando. Tentamos deixá-la com a cara dos dois, para que ambos se sintam em casa”.

Para completar, a vida na vila tem um gostinho especial. “Aqui vemos coisas que eu nem sabia que ainda existiam. As crianças pulando elástico, brincando de amarelinha… o cachorro do vizinho que frequenta nossa casa como se fosse a dele… a troca de favores (ou ingredientes) entre os moradores… temos um ótimo convívio, algo que se aproxima a uma relação de quem vive no interior”. E isso tudo em um dos bairros mais movimentados da cidade – é, Marina e James tiraram mesmo a sorte grande.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

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