No último andar de um prédio baixinho em Higienópolis os arquitetos Marina e Thomas encontraram o lugar perfeito para construir seu primeiro lar juntos. Marcado por detalhes únicos tanto nos elementos estruturais quanto na decoração, o apartamento mais parece uma casa, com direito a varandas bem iluminadas, venezianas brancas que vão até o teto e materiais que trazem aconchego, como o piso de tacos e os ladrilhos hidráulicos criados pelos moradores. Quer entender como essa história começou? Então leia também o Capítulo 1.

Era natural que o charmoso edifício da década de 1940 despertasse a atenção do casal. Com um jardim na fachada, um hall original preservado pelo tempo e a ausência de grades, o prédio se relaciona com o entorno de forma leve e amigável, como o urbanismo de São Paulo costumava ser no passado. Formada há quatro anos pela Escola da Cidade, Nina descobriu desde cedo a valorizar os tesouros arquitetônicos da região central em que vivem – o mesmo vale para Thomas, formado pela FAU-USP. Sócio fundador do Vapor 324, ele hoje trabalha com projetos diversificados que envolvem as áreas gráfica, audiovisual e arquitetura.

Além de comandar seus próprios projetos de arquitetura Nina Morelli colabora com outros profissionais e também se aventura em diferentes áreas artísticas, como design gráfico e direção de arte para publicidade ou longas-metragens. Trabalhando no esquema home office, ela passa boa parte de seu tempo no segundo dormitório do apê, convertido em escritório. Amplo o bastante para acomodar duas mesas espaçosas, um banco de madeira que foi presente do pai de Thomas e as bicicletas dos moradores, o cômodo é um apanhado de coisas que eles tinham ‘sobrando’ ou que vieram dos antigos endereços de cada um.

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O quarto principal é mais uma das muitas surpresas do apartamento. Na reforma realizada pelos antigos proprietários a varanda dos fundos, que antes formava uma generosa área descoberta, foi fechada com uma estrutura de madeira e janelas brancas instaladas a partir do guarda-corpo de alvenaria. Para deixar o ambiente ainda melhor, Nina e Thomas fizeram seus ajustes: o closet que ficava na entrada foi substituído por um armário mais leve desenhado por eles, novas caixilharias entraram em cena em alguns trechos e o cimento queimado do piso deu lugar aos mesmos tacos do living na parte interna e aos ladrilhos azuis na parte externa. O gaveteiro de ponta a ponta da parede e a cama baixinha de marcenaria também são criações do casal.

A varanda é usada diariamente, seja nas manhãs durante a semana ou debaixo da ducha nos dias de calor e descanso. Ali, e em todos os outros cômodos, os moradores aproveitam para cultivar uma de suas maiores paixões, as plantas. “Somos de famílias que sempre tiveram jardins, pois morávamos em casas. Nossas plantas são parte desse processo de se fazer um lar. Vê-las crescer dentro do apartamento sob os nossos cuidados é algo incrível.”.

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Ao todo a reforma do imóvel durou apenas três meses, tempo suficiente para que os arquitetos restaurassem o que não estava em bom estado, como as instalações elétricas e hidráulicas, adaptassem os espaços ao seu estilo de vida e dessem início à decoração, que permanece em constante evolução. “Cada um dos detalhes que temos em casa reflete um pouco das nossas personalidades. Somos pessoas tranquilas, amantes de plantas e objetos com afeto e memórias. Fomos e vamos continuar, aos poucos, a construir um lar juntos, por isso o apartamento é grande parte dessa nossa história.”.

fim-final

Fotos por Luiza Florenzano