Memórias vivas | Capítulo 1

Móveis restaurados pela moradora compõem a decoração

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Quando a publicitária Mariana se apaixonou por um apartamento antigo em Higienópolis, em meados de 2010, ela não imaginava que seu interesse por lugares e objetos com história cresceria tanto. Recém-casada na época, Mari chegou a visitar mais de 20 imóveis até descobrir esse tesouro escondido. Construído em 1938 o prédio foi um dos primeiros do bairro e, apesar de ter sofrido algumas modificações desde então, ainda preserva o charme daquele tempo – o elevador com porta pantográfica e a entrada com vitrais coloridos no térreo estão de prova. Além desses elementos tão especiais, as grandes janelas com vista para a copa das árvores conquistaram o coração da futura moradora.

Mariana teve a sorte de encontrar um apê com o qual se identificou bastante e que exigiria poucas alterações estruturais, o que parecia perfeito para o orçamento enxuto do casal. Os antigos proprietários haviam adaptado a planta original, transformando um dos três quartos em um escritório aberto e removendo a parede que isolava a cozinha. Eles também criaram estantes de concreto em pontos estratégicos como uma forma de dividir os espaços sem prejudicar a entrada de luz natural. Sendo assim, apenas duas coisas foram feitas antes da mudança: a restauração do piso de tacos e a remoção do forro de gesso que havia na sala de estar, solução que aumentou o pé-direito consideravelmente.

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Apertados com o financiamento do imóvel, Mari e o ex-marido investiram as economias que sobraram nos eletrodomésticos da cozinha e no sofá, então o restante das peças ficou indefinido. Por coincidência a avó dele também estava se mudando e deu alguns de seus móveis para o casal como presente. Bonitos, porém pouco conservados, os itens precisaram de restauro: “Reformei a mesa de jantar, um aparelho de som, uma poltrona bergère e acabei pegando gosto pela coisa. Logo pensei que se comprasse outros móveis antigos talvez conseguisse produtos de qualidade, com personalidade, bom preço e de quebra poderia reformá-los do meu jeito.”, lembra a publicitária.

A ideia que surgiu com a falta de verba se transformou em um projeto pessoal. Quase todos os amigos que visitavam o apê ficavam curiosos sobre a origem das peças e elogiavam as intervenções de Mariana, por isso ela se animou e decidiu criar uma loja online para vender algumas de suas criações. Assim nascia a Em Conserva, uma marca que valoriza a história por trás de cada produto restaurado. “Antes de descobrir esse novo olhar, eu tinha, como a maioria das pessoas, uma impressão de ‘coisa velha’ quando via um objeto assim. Ainda não tinha a consciência de que um móvel antigo normalmente é feito com matérias-primas melhores e mais duráveis, ou de que essa era uma forma de evitar o descarte de algo que ainda está em bom estado.”.

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No fim o casamento de Mari não deu certo, mas o apartamento deu. A saída de seu ex-marido trouxe mudanças positivas para a decoração: cores e estampas apareceram nas cadeiras da mesa de jantar e nas almofadas, vasos com espécies de diversos tamanhos agora se espalham pelos cômodos e outros móveis surgiram – afinal as relíquias herdadas da avó dele saíram de cena. Mais recentemente o endereço ganhou também um novo morador, o francês Jean, namorado de Mariana e entusiasta das plantas assim como ela: “É incrível como uma planta pode dar outra energia ao ambiente. A natureza tem força e adoro ter essa força dentro de casa. Quando conheci o Jean começamos a ter hortas nas janelas e hoje os temperos que consumimos são frescos e mais saborosos.”.

Tão donos do apê quanto a própria publicitária, seus três gatos de estimação, Mafalda, Fumaça e Isabel, transitam pelos espaços com total liberdade. Acostumada à mania dos felinos de desfiar ou literalmente destruir alguns objetos, Mari sempre leva esse detalhe em conta na hora de comprar um estofado ou escolher o tecido para um item que pretende restaurar – segundo ela, a melhor opção são as versões com trama bem fechada, mais resistentes às unhas afiadas. Foi esse o critério adotado no pufe preto da sala ou no banco lateral com base de formica rosa, ambos repaginados por ela, como tantas outras peças.

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Sem a menor vontade de ter uma daquelas casas com cara de showroom, onde as pessoas têm medo de bagunçar e realmente usar os ambientes, Mariana dedicou muito trabalho e energia para que seu lar fosse interessante, confortável e cheio de histórias legais. “Gosto de olhar para algum objeto e lembrar de como o consegui, o que fiz para reformá-lo ou de que viagem ele veio. Acho que uma casa com memórias assim tem mais vida.”, define ela.

Fotos por Isadora Fabian

CONTINUA

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COMENTÁRIOS # 8

  1. Ola! Qual o nome dessa poltrona antiga?

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  2. Amei adoro apartamentos antigos …

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    • Oi Claudia, tudo bem?

      Realmente os apartamentos antigos têm um charme especial. O desse fica por conta das janelas e do pé direito alto 🙂
      beijos

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  3. De onde são os tapetes que aparecem nas fotos??

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  4. Amando esse apê antiguinho! Realmente parece bem aconchegante 🙂

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