Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Música, cor e poesia são três coisas que não podem faltar na rotina da designer de interiores Ana. Ao lado do marido, o engenheiro e piloto Rodrigo, dos filhos Ravi e Leon e de uma turma de bichinhos de estimação formada por dois gatos, dois cachorros e um peixe, Ana construiu uma morada feliz em um sobrado dos anos 60 no Campo Belo, zona sul de São Paulo. Com muitas paredes coloridas, pés de fruta no quintal e objetos que refletem a personalidade de cada um, a casa resume bem o estilo da família: “Tudo aqui tem vida, nada é cenário…”.

A história de Ana e Rodrigo começou há 11 anos, quando eles se conheceram por intermédio de um amigo querido de ambos – o tal cupido já devia saber que os dois se dariam bem, porque não demorou muito até que estivessem fazendo música juntos. A designer sempre gostou muito de cantar, então acabou topando o convite para participar de alguns shows da banda de Rodrigo, que toca violão nas horas vagas. Aos poucos a sintonia entre eles foi crescendo e, quando perceberam, já estavam apaixonados. Quem diria que aqueles ensaios despretensiosos e as viagens entre amigos terminariam em casamento?

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Após o casório, marcado por uma cerimônia cheia de detalhes especiais, faltava encontrar o endereço perfeito para começar essa nova vida – o que nem sempre é uma tarefa simples. Antes de cruzarem com a simpática construção em uma rua curtinha e tranquila, Ana e Rodrigo passaram por dois apartamentos, porém sentiam necessidade de mais espaço para seus hobbies e os filhos que viriam. Quando eles finalmente conseguiram comprar o sobrado de 220 m², descobriram que o local havia funcionado como sede de uma empresa durante alguns anos. Com jeito de escritório, os ambientes eram frios e impessoais, ou seja, totalmente o oposto do que Ana desejava.

Ao invés de desanimar diante o desafio, a designer o encarou como uma oportunidade de aplicar seus conhecimentos e de começar, praticamente do zero, sua casa dos sonhos. Tudo foi desenhado por ela: as mudanças estruturais, a disposição dos cômodos, a marcenaria…  No térreo as alterações giraram em torno da integração total, já que o objetivo era estimular a convivência e valorizar a entrada de luz natural. Com a retirada de algumas paredes e a abertura dos vãos de portas e janelas existentes, o living agora reúne sala de estar, lavabo, sala de jantar e cozinha americana – de quebra todos esses ambientes têm vista para a natureza, sejam as plantinhas da garagem ou as espécies que ficam no quintal, nos fundos do terreno. Já que o quebra-quebra se espalhou por quase tudo, Ana aproveitou para reformar também o muro e o portão da fachada, hoje pintados de amarelo clarinho e lilás.

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Na hora de preencher a casa com móveis e objetos, a moradora confessa que precisou se policiar para não criar nada muito temático e não usar todas as ideias que acumulou de uma só vez. Afinal, mesmo quem trabalha com decoração sabe que nesses casos é preciso dar tempo ao tempo. Para conquistar a atmosfera descontraída, espontânea e alegre que tanto queria, ela apostou na mistura de estilos, épocas e cores, muitas cores! “Vejo composições coloridas em quase tudo o que me cerca e isso de fato mexe com o meu humor. Essa questão visual é algo muito forte e até instintivo para mim.”, revela a designer. É impossível discordar de Ana ao olhar as ousadas combinações que ela fez darem certo: um sofá roxo com almofadas turquesa, a parede azul com pôster vermelho, a tinta rosa emoldurando a cozinha…

Sem nenhum tipo de frescura ou afetação, a família também gosta de peças de design, porém o que realmente os atrai em cada móvel é a simplicidade, a mistura de materiais e a beleza sem artifícios. Até mesmo os quadros que cobrem a parede de tijolinhos foram escolhidos mais pelo sentimento do que pela estética – entre outras coisas, ali estão reunidos uma gravura trazida de Barcelona, artesanato do deserto do Atacama, caricaturas compradas em Embu das Artes, desenhos do filho Ravi e até mesmo o carimbo da placenta do parto de Leon, o caçula de apenas três meses. Haja história pra contar!

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Como se fosse um organismo vivo, a casinha de Ana e Rodrigo está sempre movimentada e com algum som divertido de fundo. Podem ser os latidos dos cachorros, o barulho de Ravi brincando, as risadas do pequeno Leon ou a música cantada e tocada pelos pais, ditando o ritmo da vida dentro desses espaços. O que faz esse lar ser único? Os próprios moradores respondem: “Acreditamos que seja o valor emocional das coisas. Essa sensação de que elas contam um pouco, ou muito, sobre a gente. Além, é claro, das nossas plantas, dos nossos filhos, dos nossos bichos e dos nossos gostos… Tudo aqui é muito verdadeiro!”.

Quer conhecer os outros cômodos e se inspirar com mais cores? Então volta no blog amanhã para acompanhar o Capítulo 2. Estaremos te esperando!

Fotos por Luiza Florenzano

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